sábado, 28 de julho de 2007
Café e suco (com biscoito)
Ó, vai assim mesmo de uma respirada só, então, respira. Pensa bem e responde logo. Eu sei, eu sei que temos um passado e coisa e tal e que isso as vezes fica pairando no ar como nebulosas, outras vezes como bolhas de sabão...mas, estamos aqui, sobrevivemos, e a gente se gosta, e isso é um fato e, a gente é otimo junto, e é tão difícil ser com alguém por aí...E é tão difícil ser por aí...então vê se dá um passo adiante, porque já dei o meu e aceita logo que a gente não quer se perder e que não precisa se perder...e que a gente pode mais...mais que isso de agora....e que teu entusiasmo com a vida anda amuado e o meu, ao contrário anda lá nas alturas...e aquilo que te disse noutra noite é verdade...e é uma daquelas que precisam ser compreendidas e não vamos mais perder tempo... vê se vem logo pra cá, pra viver o amor que é possível...porque eu acho que você me ama e eu também... e acho que isso não é uma escolha é quase uma imposição...e a Espanha será sempre tua e os rastros de noite sempre meus...então deixa de bobeira e aceita meu convite prum jantar ou prum café, essa semana, eu pago....
400km
Vou escrever rio. Nada de muita filosofia, muita poesia, muito pensamento...Como água que se conforma com tudo, quero escrever-aí, ser-aí, nesta hora. Falando nela, senhora insolente e implacável, chrónos corre e você corre também. Pra mim. E eu pra você. Nem adianta argumentar - veja bem que a hora nem é essa: de argumentos, raciocínio ou lógica – que você está uns 400km daqui e que, na verdade, estará em breve muito mais distante que isso. Porque no fluxo, só o que sinto constitui o real e o que sinto bem agora, é que você está comigo. Preciso dizer, confessar, mesmo que isso me custe caro mais tarde, dormimos juntas tem um tempo, levei você pra passear no domingo e, desculpe algum transtorno, mas andamos diariamente de barca. Ou catamarã. E lá, principalmente à noite, comungamos. E confessamos mais de nós que o nosso tamanho. Chama-se juventude o período da vida de um rio em que ele ganha mais água do que perde. E eu sempre achei esse nome (do rio menino) muito poético, bonito mesmo. Não contava que há essa altura da vida (alguma bagagem, sem filhos, algumas dores que acordam quando vira o tempo, alguns sonhos e muitas gavetas) fosse costurar amor de bordadura fina e delicada. Estampando na frente um lindo rio. Que corre sim, mas não perde água nenhuma.
Café esclarecedor
Beleza é nunca resolver se mais importante é o personagem ou o cenário. Engraçado ver como o nosso discurso oscila, como cada hora assumimos uma nova verdade. Sou capaz de defender numa conversa franca a importância primeira do personagem e logo ali, adiante, passos depois, crer no espaço e só nele.
Interfiro porque sou outro.
Mas a nova cor do espaço novo me transforma...
Interfiro porque sou outro.
Mas a nova cor do espaço novo me transforma...
domingo, 1 de julho de 2007
Ovo
Não foi sem dor
que rompeu o dia
vacilando entre
o escuro da noite e o despertar de passarinhos.
A água derreteu seu corpo branco
junto com as lembranças daquele branco muro.
Olhou-se no espelho
tocou-se com as mãos
e sentiu a aspereza que tem no silêncio.
Silêncio é do gênero de coisas
que vêm em blocos
duros, maciços e cortantes.
Fora o barulho ensurdecedor
dos dias que não tem barulhos
nada mais se ouviu por ali.
que rompeu o dia
vacilando entre
o escuro da noite e o despertar de passarinhos.
A água derreteu seu corpo branco
junto com as lembranças daquele branco muro.
Olhou-se no espelho
tocou-se com as mãos
e sentiu a aspereza que tem no silêncio.
Silêncio é do gênero de coisas
que vêm em blocos
duros, maciços e cortantes.
Fora o barulho ensurdecedor
dos dias que não tem barulhos
nada mais se ouviu por ali.
sábado, 30 de junho de 2007
Baús e cacarecos
Baús e cacarecos
E agora você vem me falar do seu baú. Pensa bem, pensa grande, vê lá se isso são horas de remexer em feridaantiga, nem passa do meio dia e esse trabalho de merda a cada minuto torna-se mais infernal, e pra piorar o barraco, o gerente hoje não só deu as caras, como está com a corda toda. E aí, chega você num corpete pérola (preciso te dizer, lindo) com seu ponto forte, teus peitos a mostra, abre esse sorriso largo e me diz: saca um baú? e eu ingênuo digo que sim. Pronto. Da tua boca começam a sair tufões, e eu ali despreparado, ouvindo que baú de guardados quanto mais se arruma mais coisa se encontra pra mexer, restaurar, arrumar ou até mesmo jogar fora e coisa e tal. Começa a despejar uma série de questões, numa velocidade sempre tua, sempre a mil, a dez mil por hora e, no meio dessa tua dor velada eu vou me vendo, me enxergando, me reconhecendo também... Sei lá a dor é tua, mas eu também tenho dores e, assim de perto, pertinho, tudo fica tão comum, tão parecido, tão humano. Nada sei da tua vida, a não ser o que você conta, revela; o que te escapa, mas assim, nessa “convivência” dos infernos, sob esse concreto que nos achata, há alguém que escuta teus mudos gritos.
E agora você vem me falar do seu baú. Pensa bem, pensa grande, vê lá se isso são horas de remexer em feridaantiga, nem passa do meio dia e esse trabalho de merda a cada minuto torna-se mais infernal, e pra piorar o barraco, o gerente hoje não só deu as caras, como está com a corda toda. E aí, chega você num corpete pérola (preciso te dizer, lindo) com seu ponto forte, teus peitos a mostra, abre esse sorriso largo e me diz: saca um baú? e eu ingênuo digo que sim. Pronto. Da tua boca começam a sair tufões, e eu ali despreparado, ouvindo que baú de guardados quanto mais se arruma mais coisa se encontra pra mexer, restaurar, arrumar ou até mesmo jogar fora e coisa e tal. Começa a despejar uma série de questões, numa velocidade sempre tua, sempre a mil, a dez mil por hora e, no meio dessa tua dor velada eu vou me vendo, me enxergando, me reconhecendo também... Sei lá a dor é tua, mas eu também tenho dores e, assim de perto, pertinho, tudo fica tão comum, tão parecido, tão humano. Nada sei da tua vida, a não ser o que você conta, revela; o que te escapa, mas assim, nessa “convivência” dos infernos, sob esse concreto que nos achata, há alguém que escuta teus mudos gritos.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Dejavu
Sentada na calçada
Em dia de sol azul
Praticando o silêncio
Tentando fazer pose
De quem sabe
On the rocks for ladies
Princesinha de rosa
Decodificadores
Tem hora?
Com hora?
Parece que sei quem vc é...
Eu não
É preciso estabilidade pra viajar
Perspectivas e sonhos
Felicidade doméstica
The key
Someone give me the key
And a passport
A one way ticket
Uma bolsa cheia de coisinhas
Adoro coisinhas
Essas e aquelas coisinhas
Dejavu
Deixa vir
Em dia de sol azul
Praticando o silêncio
Tentando fazer pose
De quem sabe
On the rocks for ladies
Princesinha de rosa
Decodificadores
Tem hora?
Com hora?
Parece que sei quem vc é...
Eu não
É preciso estabilidade pra viajar
Perspectivas e sonhos
Felicidade doméstica
The key
Someone give me the key
And a passport
A one way ticket
Uma bolsa cheia de coisinhas
Adoro coisinhas
Essas e aquelas coisinhas
Dejavu
Deixa vir
Assinar:
Postagens (Atom)